Simpósio Internacional “Naturally Occurring Radioactive Material – NORM VIII” aconteceu no Rio de Janeiro promovido pelo IRD/CNEN


Evento “NORM VIII – Eighth Intenational Symposium on Naturally Occurring Radioactive Material – NORM VIII- Challenges and solutions” aconteceu no Rio de Janeiro, 18-21/10/2016, promovido pelo Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD/CNEN) e instituições nacionais e internacionais associadas, como Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), Organização Mundial de Saúde (WHO), Comiê Cientifico das Nações Undas para Efeitos das Radiações Atômicas (UNSCEAR) e Comitê Internacional de Proteção Radiológica (ICRP). O evento foi presidido pela Prof. Dejanira Lauria, do IRD.

A SBBN foi uma das entidades brasileiras que apoiaram o evento e esteve representada pela Dra. Adelia Sahyun, Diretora-Tesoureira da SBBN, e pelos associados Mario Bernardo-Filho, Danubia Caputo, Camila Araújo e Alexandre Lima.

NORM (do inglês “Natural Occurence of Radioative Materials”) é uma preocupação comum a todos os países, independente de usarem ou não energia nuclear. Os materiais radioativos de ocorrência natural resultam da presença de radionuclídeos em rochas, solos, águas e minerais ou do aumento da concentração destes elementos ocasionada por um processo produtivo, podendo afetar áreas de petróleo e gás, mineração de carvão, produção de energia a partir de fontes geotérmicas, extração e processamento de minérios, produção de fertilizantes, indústria cimenteira, construção civil, entre outras. O aspecto radiológico que requer cuidados de radioproteção é relacionado à presença dos radionuclídeos das séries naturais do urânio e do tório no material explorado ou no processo industrial gerador de materiais concentrados que podem representar riscos. Para exportações de produtos de ocorrência natural, é exigida comprovação  que o país exportador cumpre requisitos de proteção dos trabalhadores e de normas ambientais. Este assunto pode transformar-se em uma barreira comercial para as exportações brasileiras.

Os temas mais discutidos no evento foram: regulamentos internacionais e “Comunicação”. As fases de comunicação de risco incluem: Educação, Abordagem de marketing e Prática participativa (envolvimento das partes interessadas).

Esta prática é um desafio devido ao limitado conhecimento do público; diferentes percepções de risco; diferentes opiniões e sentimentos sobre NORM e necessidade de disponibilidade de tempo, recursos humanos e financeiros e interesse para se atingir o propósito desejado.

As atitudes recomendadas foram: (1) Identificar e priorizar os valores convergentes; (2) abordar a percepção de risco: familiaridade, controlabilidade, voluntariedade, medo; (3) incertezas devem ser entendidas e aceitas; (4) estimular o processamento sistemático de informações – soluções de longo prazo; (5) desenvolver a propriedade de soluções.

Dentre as partes interessadas, foram identificados: população em geral, trabalhadores, famílias, autoridades locais, instituições governamentais, indústria, empresas envolvidas, meios de comunicação, atores privados (empresas de reabilitação), políticos.

O aprendizado sobre comunicação e envolvimento das partes interessadas envolve a a estratégia (quem fará o quê, a que horas-perspectiva); instituições governamentais nacionais ou subnacionais são consideradas neutras (opostas às autoridades locais ou à indústria); nível de envolvimento da população tem de ser definido desde o início;  um contato permanentemente disponível; esclarecer o que significa contaminação e exposição e os limites de doses estabelecidos.

Foi recomendado que em reuniões públicas estão presentes o perito e alguém que pode explicar a mensagem. Há discussões longas e difíceis sobre as responsabilidades, mas estas discussões devem ocorrer em local correto: não diante do público.

Sabemos que, para a mídia, “Má notícia é uma boa notícia”. Para superar essa dificuldade, é necessário empregar um facilitador independente para reuniões. A Transparência compromete decisões comerciais e as autoridades, muitas vezes, são vistas como distantes do problema. Por outro lado, é difícil coordenar muitos níveis de autoridades. A abordagem proativa dos meios de comunicação tem de ser utilizada e deve-se reconhecer as preocupações do público e incluí-las na solução se possivel usando “pools” de opinião.

Pensamentos errados sobre comunicação:

  • A comunicação é menos importante do que a educação.
  • Não há tempo e recursos suficientes para um programa de comunicação de risco.
  • Dizer ao público sobre um risco desnecessariamente alarmará as pessoas.
  • Não devemos ir ao público até que tenhamos soluções para o problema.
  • Essas questões são muito difíceis de serem compreendidas pelo público.
  • As decisões técnicas devem ser deixadas nas mãos de técnicos.
  • Incertezas não devem ser comunicadas.

Recomendações relacionadas à comunicação e ao envolvimento das partes interessadas nos tópicos NORM:

  • Participar em redes com comunicadores cidadãos ativos e capacitados.
  • Estabelecer “Science Media Centers” como serviços centralizados de dados científicos para jornalistas
  • Traduzir, simplificar e esclarecer conteúdo;
  • Usar pontos de referência familiares
  • Criar / apoiar bancos online de informação que os jornalistas e outras partes interessadas possam consultar
  • Adaptar a cultura de comunicação institucional à realidade da comunicação
  • Admitir incertezas científicas e fornecer informações equilibradas
  • Envolver-se com as partes interessadas
  • Conhecer as necessidades e percepções de seu público e como eles recebem e entendem informações